quarta-feira, 22 de maio de 2013

Desse tempo que acordei com saudade


Era um tempo desse que se refazia aqui dentro. Tempo de chuva, mas tempo de alegria. Tempo de brincadeiras com o que a vida dava de graça e que não precisava ligar na tomada. Com sorrisos que  vinham de cabelos molhados de suor - de tanto correr. A saudade da infância é um pouco de tudo e de tempos em tempos vem me revisitar. E não importa se chove forte nos olhos ou se pinga longe no mar essa água salgada: ela insiste em bater nas vistas. Se exibe holiudianamente e se reprime, some. Por vezes vou até a padaria buscar essa infância e a pego comendo uma bomba de chocolate enorme. Há outros indícios: água no chão do banheiro, talheres e louças sujas na pia, meia enfiada dentro do tênis, televisão desprogramada e som alto, além de todos os tapetes sujos e do chão da casa inteira cheio de terra roxa. Roxo, aliás, estão as pernas e braços, além de arranhados. Mas roxo mesmo fica a saudade, que bate forte tem dia.

foto: Crianças de Campo Alegre do Fidalgo, sertão do Piaui, durante a chuva que marcou a chegada do "inverno" de lá, em janeiro de 2013 

domingo, 14 de abril de 2013

Céu carregado


O céu fica carregado quando algumas tarde de outono terminam seu dia. São dias especiais, em épocas específicas, tempos que trazem manhãs difíceis de prever. Por isso os cantos dos pássaros mudam, as cores têm menos ou mais saturação - depende do momento -, o contraste da vida vai diminuindo e os dias passam a parecerem-se todos. Aquela música que tanto te alegra causa o mesmo efeito que causa um olhar desavisado para a pia suja que a gente não se importa em lavar. Os soluços, suspiros, bocejos tornam-se um bom dia na boca de um estranho e o chocolate já não adoça mais o leite. São dias assim que lhe mostram a passagem do tempo. Épocas nas quais viver toma um novo sentido e um significado mais próximo do existir. São tempos que se repetem de vez em quando. São dias que eu gostaria de entender seus significados.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O abraço não dado


De todos os meus abraços, o mais forte foi aquele não dado e, no entanto, é dos mais presentes na minha alma. Ele impregna dentro do espírito e não sai nas trocas de roupa. Ele tem demonstrado que mais forte que o entrelaçar de braços é o encontro das almas. E que não importa o quanto se aproxime ou se afaste novamente, ele permanecerá ali, presente. Em sua ausência ele é substituído por tantas outras coisas: expectativas, lembranças que culminam no não abraço, tempos convividos em comunhão e mesmo por aquele olhar duro, carregado de sorrisos posteriores que afagam o pior dos dias e das noite. Emprestar os ombros não substitui esse abraço não sentido, esse calor não trocado nem os pés não pisados pela ansiedade do encontro dos corpos, apenas reforça ainda mais essa falta. É uma falta que ignora sua natureza, pois se faz mais real e presente que tantas coisas ao nosso redor. E se abraçar o próprio corpo for uma forma de trocar esses sentimentos não vividos, que o melhor exemplo seja dado durante o banho: local de presença forte daquilo que falta e falta daquilo que ficou no anseio. É hora de lavar não o corpo, mas as sensações e desejos que impedem esse abraço não vivido.

domingo, 18 de novembro de 2012

Salada de professores


Às vezes, pra quebrar a rotina, fazíamos festinhas caretas na sala de aula. Era o finalzinho do Ensino Fundamental, mas lembro-me que mantivemos essas atividades também no Ensino Médio. Uma dessas festas era de Salada de Fruta: um vinha com a banana, outro com a uva, maçã, pera... e, quando montávamos tudo numa bacia de alumínio da cozinha da escola, estava ali nossa salada. E que salada. Não digo gostosa, já que tenho minhas predileções: não gosto de uva com semente, nem maçã com casca, também prefiro a salada regada com tubaína e não com suco de laranja. E jamais com creme de leite ou leite condensado. Mas hoje gosto mais da salada de fruta que me traz um breve tempo do passado pra mais perto, pro meu presente. Me lembro, antes de tudo e de todos, do professor Luís Carlos, de Geografia. Um homem sério em sala. Palavras bem colocadas e bem entonadas. Mas lições que não me esqueço: humildade, sabedoria... coisas que, quando adolescente, nos fechamos para reconhecer nos outros. Relembrando carinhosamente essas aulas, hoje encontro grande passos metodológicos em suas palavras. Devaneios que passeavam pelos diversos tipos de conhecimentos e materializações deles derivadas. Sobre a salada de fruta, fizemos, certa vez, em sua aula. Me lembro que falávamos que não era atraente o fato da maçã e da banana amarelarem. Ele sorriu, e então nos ensinou um segredo para que isso não acontecesse. Luís Carlos já se foi. Há uns 8, 10 anos. Mas eu, ao usar desse segredo agora há pouco, o trouxe bem vivo um pouco mais pra perto dessa distância toda.

domingo, 11 de novembro de 2012

Sou exatamente igual a você


Vi, nesses anos, tantas paisagens com esses meus olhos... quanto você, que trocou a imagem de fundo da sua área de trabalho do computador. Conversei e ri tantas vezes com desconhecidos... quanto você, com seus mesmos colegas em suas redes sociais na Internet. Olhei, maliciosamente, para tantas pessoas interessantes na rua, nas calçadas, nos ônibus... quanto você, que cutucou alguém no Facebook ou coisa que o valha no Orkut. Toquei tantas peles e cabelos: macios, com marcas de expressão, cheirosos... quanto você, com seu mouse e seus cliques nos botões esquerdo e direito. Senti em meus ouvidos tantos suspiros e calor... quanto você, com suas caixinhas de som e coolers de resfriamento. Falei alto, ri alto, gargalhei tanto... quanto você, e seu microfone embutido na tela do notebook. Abri minha porta, o portão de entrada do prédio e meu peito para tantas pessoas... quanto você, ao abrir suas novas mensagens de email ou mensageiros instantâneos no celular. Passei tantas horas admirando aquele rosto lindo da nova paquera, como o cabelo dela mudava de cor ao longo do dia, e como não tem fim tantas caras e expressões com o cotidiano que ela faz... quanto você, e sua foto aberta estática na nova tela de LED. Aprendi novas coisas, um novo suco, conheci uma nova comida, tantos sabores... tanto quanto você, e seus novos atalhos no teclado e funcionamento da bandeirinha do windows. E resolvi seguir conselhos, palavras amigas, me calei e escutei, pensei e ponderei tantas vezes... quanto você, que curtiu aquele desabafo tolo nos Feeds de alguém igual a você. Somos exatamente iguais, mas separados por nossos viveres.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Nós e nossos eles


Vez ou outra penduro imagens mentais da minha vida no teto da minha idade. A cada novo ano, novas experiências; não necessariamente valiosas. Somo, em alguns anos, o mesmo que em meses, semanas de outras épocas. E esses últimos tempos têm sido ricos nesse sentido. As grandes e valiosas amizades, as coisas boas compartilhadas, as grandes aventuras no meu mundinho pequeno, as mentiras descaradas dos outros e minha carinha de quem acredita. Tempo de tudo e de todos. Todos dependurados ali, nas minhas imagens aéreas. Às vezes preciso me afastar pra tentar olhar pra algumas deles. Tento ponderar, observar o que houve. E pouco vejo. Meus eles se dissimulam quando os encaro. Me afasto mais ainda, tento manter experiências com as passagens da vida. E muitas tão pouco me trazem: pessoas que pouco - ou nada - me mostram. Queria até deixá-las fora desse texto, mas, sem citá-las, como poderia excluí-las? Desses tempos fabulosos, porém, levo gravados ensinamentos. E foram doídos, só assim pra marcar. Eles todos me abrem para um outro eu e seguem comigo agora. Vão pra sempre, dependurados no meu teto e ao alcance das mãos. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O professor de filosofia e minha nota D

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Me tornei professor, uma escolha óbvia para um filho, irmão, sobrinho, primo de professores. E atuar nessa profissão tem me trazido lembranças de quando fui aluno. E, me colocando nessa perspectiva, me vejo na pele dos meus próprios alunos, projetando seus ardores em certezas que só virão amanhã. E tudo são lições que se aprende, às vezes, com uma boa dose de tempo. Uma das grandes lições que aprendi quando menino me fora ensinada pelo professor de Filosofia do colegial. Sempre fui um estudante mediano, mas esforçado. Notas médias, poucas faltas, sentia que era mais difícil pra eu entender certas coisas do que pro resto da turma. Mas isso me foi combustível e não freio pra meu aperfeiçoamento.

Um dia, entretanto, algo terrivelmente errado havia acontecido. O professor havia me dado nota D, o equivalente a 2. Ou seja: mais do que o suficiente pra levar uma bronca moral dos pais. Passei pela bronca, reconheci a necessidade de estudar mais e segui adiante. Nunca entendi, porém, como eu, um aluno mediano e esforçado, havia tirado D enquanto o pior aluno da turma havia tirado um A. Comparações são inevitáveis, especialmente nessa época adolescente de autoafirmação. Achei injusta a discrepância das notas pois sabia do meu esforço e via a indiferença do outro estudante em relação à disciplina em questão.

Cerca de 4, 5 anos depois desse D eu reencontrei esse professor, que havia se mudado da minha pequena cidade, mas retornado. Era um sábado a noite e nos vimos, rapidamente, no corredor de um bar na avenida da minha pequena cidade. Não estávamos no melhor estado de sobriedade que um recém universitário e um antigo professor de Filosofia deveriam estar, mas era possível identificar os argumentos, entender as palavras e compreender a situação que se formava ali. 

Resolvi tirar satisfação, havia ingressado em uma ótima universidade pública e me sentia confiante o suficiente para questionar aquela antiga e injusta avaliação. E foi 5 anos depois que veio a grande lição daquela prova de colegial... quando questionei o porque da minha velha nota baixa e da velha nota alta do mau aluno, o professor puxou a minha cabeça quase encostando-a na sua. Então me disse que sabia que eu era capaz de muito mais do que aquele outro aluno, e reconheceu que eu realmente merecia uma nota melhor. Mas continuou dizendo, entre pausas pra respirar e organizar as ideias que vinham mais lentamente, que se tivesse me dado nota 10 ele teria, conscientemente, podado a minha vontade de buscar um objetivo maior, qualidade que havia identificado em mim. E pediu minha compreensão. 

Voltei pra onde estavam meus amigos, e comentei sobre a situação estranha que acabara de vivenciar. Todos eram admiradores, mesmo que calados, daquele humilde professor. Naquele dia, meu antigo professor ganhou mais do que minha compreensão. Ganhou minha eterna admiração e respeito. Eu, ganhei uma lição: que o conhecimento e o crescimento humano-pessoal são coisas que se estruturam com perseverança e com tempo, mesmo sob os olhos da nossa ignorância, que tão onipotente se julga. Aprendi que é preciso esforço, muito, e tempo, mais ainda, pra se entender as lições de um verdadeiro mestre. E falta sinto de mais mestres assim, que usam jeans, chinelos, camisas abertas e que sabem da vida não porque estudaram, mas porque viveram. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Um nó. No peito


O que aconteceu foi assim: vi um papel se transformar em um nó. No peito. Desse que deixa de ser uma lembrança doce e contida na garganta pra se transformam num papel amassado e delicadamente posto de lado. Não se apaga da memória os momentos em que, ao desembrulhar aquele sentimento, o barulho rompia com o silêncio e com os olhares nele navegando saborosamente. Foi quando o leve toque protegido entre esses dois pelo algodão frustrava qualquer desejo antecipado, e suas vontades confusas e contidas deixavam a simples promessa de sabor mais adocicada ainda. Nesse movimento tais vontades revelaram-se, numa das pontas desse papel, contraditórias e, na outra ponta, confusas. Tantas foram as palavras colocadas tão naturalmente, tão docemente que fundiram-se sem o sabor desses dois. E o desejo ali se dissipou... primeiro em uma das pontas... até levar também o da outra. Presenciei, ainda, boas explicações que envolviam destinos, fases positivas da vida, situações demasiadamente delicadas, complicadas... elas não me convenceram. Assim, no meio disso tudo, um nó. Testemunhei tantas tentativas de desfazê-lo! Estranho foi saber que todas essas tentativas foram sinceras e honestas, mas mesmo assim parecem não ter tido efeito algum. Mesmo com olás brancos engavetados. Creio que as tentativas tenham sido esgotadas quando encontrou-se aquele beijo no canto de uma foto quase perdida nas nuvens. E foi justamente quando apenas o nó criado pelas próprias pontas os separava. Fez-se, naquele momento, nó de chocolate branco.  

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Orbes Celestes fazem amor


Uma teoria que deveria ser conhecida é a do amor. Os fundamentos da minha teoria do amor estão certamente nos Orbes Celestes, que acredito fazerem amor todos os dias. Pra entendê-la, é preciso tomar lições. Primeira lição: a atração. Faz-se juras de amor e palavras tolas são ditas - por estes que lá, no incomensurável, amam - de que o espaço é curvo, e o tempo, uma convenção. Olhe para cima e, se tiver sorte, verá a lua amando nosso planetinha sempre que lhe convém, curvada nas vaidades de uma deusa azul. Ela foi atraída e hoje só faz amor. Segunda lição: amores machucam. Em escala menor, mesmo ela, feita de queijo, sofrera. Outros ali próximos chegaram e vieram sem desacelerar. Há amores pequenos, médios, grandes e incalculáveis. Há amores passageiros e duradouros de acordo com cada Orbes. Se imaginares um amor grande, outro além céu, o olharás com desdém, insignificância comedida.  Terceira: amores raspam. É quando um cometa cruza o céu, ilumina demasiadamente certo hemisfério em nosso prazer e depois se vai. Acontece que passam tão perto que deixam poeiras, rochas e imagens que, lamento, guardamos sem poder escolher que não. É um amor gostoso esse, mas talvez o mais sofrido. Embora haja troca de todas as lições, não costuma ser sincero, é fálico com sua ilusão e ego em se mostrar imensamente maior do que realmente é, e sempre ao custo de uma luz de outro amor. É praticamente um pavão, de carne macia e saborosa na boca e no sexo dos amantes. Quarta lição: efeito chiclete. Acontece quando, sem notarem, fazem amor e distanciam-se demasiadamente. Pelo pouco de amor experimentado, vem a falta, e então um dos dois exerce tamanha força que o outro, mesmo em novo caminho e nova rota, retorna sem poder escolher. E quando começa a voltar inicia o fim da história entre eles. Eles se encontram avisadamente, mas tão violentamente que tentam ser um. É posse. É domínio. E termina onde começou, alcançando novos Orbes a procura de acalanto e curvando-se para dentro do espaço outro que lhe domina. E é então novamente engolido. E isso se repete infinitamente desde sempre. Vivemos tão tão pouco que só somos capazes de ver - com olhos e espírito - quando uma rosa murcha e perde a cor. Talvez como o coração de tantos pierrôs que passam por essa estrada a procura de suas colombinas. 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Amor-de-tolo

Cada pedacinho de mim põe à luz a sua presença; tão forte é sua ausência. Cada lembrança é dura e doce; tão marcante passaram os dias. Pra cada ocasião, uma solidão; tão misterioso são meus sentimentos. E assim, pra cada ida e vinda do amor que me recordo, ainda sofro. Já moço, senti as dores do início ao fim de uma paixão adolescente. O amor que acreditei sentir, o desejo que sempre tive, a ideia de que resistiria à tudo e à todos e que seria para sempre: doeu perceber que não era bem assim. Perguntei-lhe se o sol ainda se levanta depois de um erro. E me disseres que sim. Jurei, e quis, tanto, que não. Mas o sol é óbvio demais. Pra mim, se fostes lua, eu não a quereria girando. Mesmo que fostes teu juramento. Das coisas do coração é que menos sabemos. Se sigo, não é sem opção. É por desejo que tudo se resolva. Acho que uma parte das pessoas passaram por isso. Algumas seguem adiante, se acostumam. Mas pra mim é tudo tão novo, apesar de se passar comigo velho. Acho que é assim: quando se aprende que cada palavrinha tola tem valor, o valor das coisas dobram. E quando nos achamos ricos desses valores imateriais, temos medo de abrir espaço pra outros metais sentimentais qualquer. Vai que é um desses amor-de-tolo. 

domingo, 24 de junho de 2012

Sobre os dias de tristeza

Esses dias tem se alastrado por semanas. Passam e voltam, numa dança elíptica ao entorno do seu próprio balançar. No centro, sentimentos que não consigo entregar um nome. E me pego encolhido, olhos mareados e sentindo frio. Há algo de errado nesse inverno, chegou escuro e chuvoso, trazendo sensações até então facilmente dissimuladas. Agora se tem uma cabeça vaga e os olhos constantemente não. Eu próprio procuro um sentido para esta estação. E só compreendo que não é apenas mais uma. As coisas têm mudado. Mais claro do que nunca, percebo que eu também tenho mudado. Ainda me pego redefinindo meus valores. Recriando alguns sabores e lançando um paladar adiante na esperança de um sabor de vida. Dissabores me trouxeram vários. Esses, que trazem aquilo que bem querem! Estou tentando evitar esses últimos. Novas orações sobre um velho tema. Novos papos com aquilo que acredito e tanto silêncio como resposta. A resposta é a vida. Mostra banal: aquelas tantas coisas que no cotidiano me lastimavam e tiravam a força perderam sua importância. Como foram pequenos tantos problemas! E não são demônios pessoais que atormentam esse moço não. São instantes que exigem decisões ponderadas. O carma não é viver sobre a pressão de ações que condenamos, mas viver sobre decisões que foram preciso tomar. Mais exatamente nas suas consequências. Tais decisões não baseiam-se no sim ou não, no certo ou errado. Mas na mudança pessoal. E eu nisso tudo? 

E o velho ri. Pois tal qual o tempo também sabe do desenrolar dessas besteiras. 

Em tempos assim que testamos nossos valores. Que colocamos a prova nossas crenças e que nos arrependemos por decisões, tomadas ou não, no passado. Sobre os dias de tristeza, tenho certeza, se fundamenta um futuro de alegria. É incerto no momento presente, mas me parece que deve ser assim. Em tempos assim telefonamos para alguns amigos e perguntamos sobre antigas memórias deles. Revivemos sentimentos nos outros, os forçamos a lembrar talvez daquilo que eles já se afastaram há tempos. Aproximamos pessoas queridas daqueles estados da alma deles que foram esquecidos. Ou que permanentemente foram e são colocados de lado. Não gosto. Mas preciso. Faria o mesmo por eles. Humildemente peço que entreguem suas consciências a um preço que beira o gratuito. Se não o for. Daquilo que lhes causava frio ao que me causa frio. Rememorar algumas lembranças faz bem entretanto. Nesse período ainda não tirei um nada de lição. A lição será a consequência desse período. Portanto, conversar com o velho pouco trará lições. O máximo que se pode fazer é passar aquele velho café, já não tão saboroso como antigamente. E mocar esses dias de tristeza.