Mostrando postagens com marcador Depois duma conversa com amigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Depois duma conversa com amigos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Depois daquela conversa


Acordei entristecido alguns dias dessa semana. O lençol desarrumado, o travesseiro desconfortável, a cama grande sem carinho, a friagem batendo lá fora. Acho que depois daquela conversa tive uma pista dos planos que realmente precisam ser feitos. E fiquei assustado. A culpa desse meu susto não é sua. Na verdade o que veio de você pode ter sido uma benção. Talvez você tenha sido a benção e suas palavras apenas os indícios de uma nova cama grande pra arrumar. Acordei destemperado hoje. O tempo nebuloso e frio me mantiveram deitado, pensativo. Não pude concluir nada. Não sabia sequer como pensar. Das coisas que quero uma delas é a felicidade na maioria dos meus momentos. Os momentos tristes já o são por si só, daí a necessidade em fazer de todos os outros boas recordações. Mesmo aquilo que por natureza é uma boa sensação - por diversas vezes - se tornou um ato desesperançoso. As últimas palavras, telefonemas, escolhas, tem tido um peso quase insuportável. A vontade de chorar não ajuda. O próprio choro não ajuda. As lembranças boas são sublimadas. Os tempos bons vividos eu os troco pela esperança de outros bons tempos a serem vividos. Tenho lutado pra que permaneça a minha vontade de ficar. 

sábado, 19 de maio de 2012

Chuva pra minha fertilidade

*Pra Pipa, a moça menina que voltará a acreditar em príncipes

Aqueles velhos dias de chuva voltaram. Uma vez por ano eles voltam. A cada ano, em sua devida estação, tenho plantado sementes bem específicas, cuja própria terra me ensinou a semeá-las adequadamente. Se fora da estação, com ou sem chuva, elas não rompem a terra novamente virgem, muito menos germinam. Assim como a devida chuva, uma vez por ano volto a rememorar minhas saudades. Diferentemente de Gaia, por vezes gero em meu seio colocações inadequadas: chove quando minhas sementes precisam de sol, e há uma estiagem quando nada de água cai. Percebi que meu ano pouco tem forma e sentido. Meu ano é finito, enquanto suportar abrir os olhos pela manhã. E nessa duração vou semeando, aguando e colhendo à mercê de fatores que - muitas vezes - de nada tenho a ver. É complicado quando chove de mais. Mas sei que sem essa chuva tanta secura de antes não teria como curar. Só assim pra deixar esse seio novamente fértil. 

A foto tb é do velho. 

domingo, 14 de agosto de 2011

O que você vê, saudade?



Na imagem acima, o que vê? Se bem atento, creio que a maioria pensará algo como um anjo ajoelhado e uma mulher santa, Maria provavelmente, ao fundo uma provável janela, com uma vista bonita. Se culto, logo dirá - "é um Botticelli, claro!". Em todo caso não credito que a resposta seja algo como - "vejo cores, vejo traços que formam figuras, vejo disposição das formas e das cores". E é, justamente, apenas isto que se vê. Não se vê o que se vê, tais figuras não estão ali. Mas as vemos por vemos coisas que nos fazem enxergá-las. Ver, neste caso, é olhar para o que não está lá. É perceber um mundo que não é o próprio mundo, mas uma maneira de mostrar aquilo que se faz ideia. É re-apresentar algo que de fato existe ou existiu, presumo. Quem nota uma ausência - pura sensibilidade - enxerga algo que não se vê. Vê que faltam tais formantes e, justamente por não ver, percebem aquilo que nasce da diferença: o sentido. Faz sentido não saber de uma pessoa e notar sua ausência justamente por não estar lá aquele traço, aquela cor, aqueles textos ou imagens que sentimos nascerem dela. Anunciamos, assim, nossa saudade. Para a semiótica, só temos o sentido de saudade porque temos sua diferença. E é ai que entendemos o que não se entende: se saudade é "Recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas" como se convencionou (lembrado pelo Michaelis), como explicar a saudade que sentimos de quem está dentro da gente? Tão mais perto impossível.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Cafés, cafés e cafés



Café é café e ponto. E isto está certo. Mas há cafés e cafés. É preciso um exercício para saber saboreá-los. Há Cafés que oferecem o prazer da degustação. Há cafés para esquentar, para matar a fome e há Cafes nos quais meninos não deveriam entrar, talvez pelo excesso de Cafe(t)ina. De qualquer modo, para um serzinho já crescido, os cafés variam em seu aroma, textura e persistência no paladar. Em minha última, pedi um Sul de Minas e um Bahia. Curtos. Vieram e, intercalando com breve gole de água com gás, meu sabor foi de alegria. O primeiro dos dois, encorpado: como uma jovem de pele firme e cabelos grossos, mas lisos, calças coladas ao corpo e um top branco por cima da pele escura, contrastando com sua beleza. O outro, suave, mas sedutor: como uma loira bronzeada de praia, com seus cabelos de luzes invertidas e de biquini de seda, bem leve e suavemente encaixado aos seus entornos. Conto isso degustando meu bom e velho capucino enlatado, tipo cinema americano dos anos 80 ou das novelas mexicanas. Mas ainda faço uma receita especialmente com você, Sul de Minas.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Dos pequenos mundos descobertos


Caminhava pelo Intercom um cara com olhar inquieto, roupas de quem não sabe se vestir no frio, um óculos que não ficava bem no rosto e um leve sorriso na face. Andou por tudo, subiu, desceu, olhou de um lado, olhou pro outro, olhou pra você também, aposto, e sempre centrava-se novamente no caminho. Deve ter dito a você bom dia, algum dia, ou boa tarde, numa outra tarde. Escondido, levava um segredo: sua máquina fotográfica; não se acanhe, pois ele fotografou mais pelas costas. Talvez você seja uma dessas quatro pessoas da imagem acima, talvez não. Talvez você seja um dos pequenos mundos descobertos por ele, por esse cara de caminhar centrado que não sabe se vestir no frio. Nosso cara escreveu um texto, em algum lugar, que fala de alguns desses mundos que conheceremos agora. Abaixo, apenas cinco Deixaremos os demais para serem ditos conforme tenham que ser. Grande abraço aos colegas do Intercom 2010.

"Franco, lembre do presidente: Itamar Franco"
Mesmo após tal ressalva, o nome que o cara não esquecia era Franco Montoro, ex-governador de SP e filho de tipógrafo. Talvez essa ligação com a prensa fosse mesmo a mais forte na ocasião, durante o Intercom 2010, o maior congresso de comunicação do Brasil. O fura fila Seu Franco assegurou que anotasse o seu contato seguramente, e essa ressalva ajudou a peregrinação hotel-Universidade nos dias de congresso. Seu Franco, o primeiro taxista que nosso rapaz teve a companhia durante um café com leite. Sem ele, não teria visto nenhum cassetinho no dia 01. 

"Estamos esperando o tempo passar"
Essa frase, que bem poderia estar em algum trecho do clássico filme Ponto de Mutação, foi escutada por nosso cara, aquele de olhar inquieto, durante a noite em que esperava o Seu Franco ("Lembre do presidente, Itamar Franco"...). Vindos da Paraíba, 3.550km depois, cerca de 3 dias e meio de viagem e com apenas R$500 de patrocínio da universidade, um grupo de 6 pessoas esperava, pacientemente, o amanhecer para então subir em mais um ônibus até a cidade de Farroupilhas, vizinha de Caxias do Sul, local do Intercom. Não conseguiram hotel, nem alojamento na própria Caxias, e foram obrigados a viajar todos os dias da cidade vizinha té o congresso.

"Oi, vocês vieram pro Intercom? Vamos dividir o taxi?"
Foi numa dessas corridas que 3 outros jovens do norte (de algum lugar do norte/nordeste) relataram também suas peripécias: fizeram 3 escalas a mais. O voo que seria apenas uma escala no Rio de Janeiro, na realidade, era uma baldeação: chegaria pelo Galeão e, do Santos Dumont (um dos pousos e decolagens mais lindos que se viu) iria pra São Paulo. Descoberta a baldeação, correria para o outro aeroporto de bus. Decolaram. Foi um Rio-Sampa rapidinho, mas... mais 3h de espera em SP pra embarcar para Caxias. Depois do atraso graças a baldeação feita de bus (Galeão-Dumont) e um novo atraso já em SP para o sul, o voo sobe novamente. E o que os esperava mais pro sul? Atraso, claro. Sem teto, pousaram em Porto Alegre e foram , mais uma vez de bus, agora pra Caxias (2hs apenas).

"Pega pra Forqueta, ali, duas quadras pra cima, na esquina"
Nosso cara ficou 2h, pleno domingo, esperando o tal Forqueta. Não veio, parou qualquer um: "Mas aqui não passa Forqueta, só lá na frente. Sobe, esse passa lá". Depois, "lá na frente", mais 1h. O destino era o Museu da uva e do vinho. Chegado lá, dona Gema o recebeu. Conversa vai, degustação de vinho vem, fotografias, flashs, tudo lindo, antigo, um museu, enfim. Degustação grátis vende: nosso rapaz levou quase mais do que pudia carregar. Um caixa, cheia. Mais na mochila. O que valeu a visita, além do bom vinho Forqueta, foi o Roque, primo de Gema. Em meio aos visitantes do museu ele pediu, em italiano, à Gema para apresentar a fábrica de vinho, fechada para visitação naquele dia. Assim o fez pois lá fora nosso cara havia puxado assunto, começado com aquele típico "bom dia", muito gentil. Agraciado, nosso cara de óculos escuro pode conhecer todo o processo, contado etapa por etapa por um funcionário com 15 anos de casa!

"Acordei em três quebras, mas dizem que foram sete"
Na realidade, foram cinco paradas/quebras que tornaram uma viagem de 15 horas numa de 28h30. Destaque para a hora "0", ou quando se deu 24h dentro do bus: palmas, assobios, uma festa que só vendo. Depois mais algumas paradas para banheiro, comer ou porque tava perdido mesmo. Essa aconteceu com nosso cara de óculos estranho que não sabe se vestir no frio. Um violão dentro do bus era tocado às vezes. A comida,  levada em dobro, foi a salvação. Muito tereré facilitou o caminho digamos "torto" de Bauru-SP até Caxias do Sul-RS. Um pessoal que ia de avião no dia seguinte quase os ultrapassa pela cabeça, literalmente. Nas quebras, tanto quanto nas paradas, mexer com a perna foi um alívio. E embora a turma de Relações Públicas não tenha se comunicado muito com a turma de jornal (e vice-versa, claro), garanto que todos iam para um congresso de COMUNICAÇÃO. Pois é... é a velha história do santo de casa não faz milagre, em casa de ferreiro o espeto é de pau, etc. Mas pro nosso cara, cujo óculos não ficava bem no rosto, comunicar não é problema.

Aquele abraço!     


quinta-feira, 11 de março de 2010

Entrave


Certa vez entravei: a maçã boa ou a não boa e fiquei pensando se seria caso para a ética, a moral ou para a polícia. Decidi que tinha saudade, e isso bastou para escolher outra maçã. Mas ela poderia não ser doce como a de antes, não ter a textura podre a que estava eu acostumado. Mas era mesmo podre? Não, nem eu mesmo, que a segurei por tanto tempo em mãos, saibo responder. Talvez fosse, porque não a seria? Fato é que me agradou a mais colorida, a que menos se era diferente, a que não fazia das outras iguais a ela. Peguei, então, a que era ela mesma, e eis que tudo foi mais natural, até mesmo eu me acostumar à ela. Numa segunda, foi isso que pude fazer, pois a porta/janela estava aberta e só. Nem vento entrava, nem nada. Nem sombra. Mas eu estava lá, do lado aqui, de dentro, esperando ela entrar. Mas ela preferiu falar ao telefone que não estava lá se preocupando muito, que frescura não era a dela. E quando, então, a maçã em minhas mãos me falou ao coração, faltou dúvida, caiu, então, a certeza de não se saber o que passa. E nossa história não estaria pelo avesso assim, sem final feliz, sem coisas bonitas para se contar. E, até lá, vamos viver, temos muito ainda o que fazer.