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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A Menina que Nasceu Duas Vezes



Se eu contasse aqui esta história ninguém compreenderia. Nem mesmo eu saberia como fazê-lo. Sequer a menina que nasceu duas vezes contaria com exatidão sua própria verdade. Ela disse que sim, está diferente. Mas todos não estamos diferentes no dia seguinte de hoje? Pra entender essa quase fábula é preciso um método preciso, porém pouco ortodoxo. É preciso olhar com todas as convicções que se tem, com todas as crenças e todas as morais aprendidas. Tão necessário se faz atribuir todos os valores-mundo que tiveres sobre tais observações. Encontrará, assim, tal experiência de duplo nascimento por toda a vida desta menina. Basta observar em cada passo, cada direção que tomar, cada dente-de-leão que assopar, cada olhar de chocolate ou até mesmo cada respiro... isso tudo contará alguma verdade sobre esta mentira que aconteceu. Isso a faz especial, mas ela não imagina isso. É pra mim uma menina única, justamente por ser duas vezes. Cada um tem sua particularidade. A dela é Ser, mais de uma vez, enquanto a minha é apenas estar diferente no dia seguinte de hoje.

ps: creio que, nascida duas vezes, a Menina que Nasceu Duas Vezes deveria viver em dobro, correr mais rápido, enxergar mais longe, pular duas vezes mais alto e cantar o dobro desafinado. Deveria fugir duas vezes em uma noite, de casa e de si, e viver duas relações ao mesmo tempo, uma de amor e outra de paixão. A paixão é o amor que não aconteceu e, por sua efemeridade, ganhou a dádiva do fogo no coração dos que se apaixonam sem amar. O amor levou a dádiva do tempo, mas paga com suas complicações inexplicáveis.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A menina mais feliz do mundo



A Menina mais feliz do mundo caminha pela praça. Olha as árvores verdinhas, graças à chuva, e ouve os pássaros ao entardecer. Ela pensa sobre como será depois que se casar. Ela experimentou paixão e brigas, mas acredita no amor. Ela, que encontrou o amor que sempre sonhou, sequer precisou procurar muito: ele, praticamente, bateu na porta dela. Ou melhor, ela que foi bater na porta dele, literalmente. Hoje ela caminha sorrindo, e seu olhar reforça o que conto aqui. Quem o viu, percebe. Ela é mesmo a menina mais feliz do mundo. E não se importem se a virem de carinha amarrada, às vezes acontece, nem sempre todo dia é um dia como o primeiro mais feliz. O que importa, no final das contas, talvez seja o sorriso primeiro, o olhar feitiçeiro ou mesmo a musiquinha cantarolada com um assobiu fraco, entrecortado e quase sem sentido. O importante é que ela decidiu ser feliz e descobriu como fazê-lo. 

quarta-feira, 12 de maio de 2010

E você me ocupa por todo mesmo

Sabe que, mesmo quando estou sozinho, me vem você dizendo que tem mais do que eu supunha. E diz  você mais sobre sua presença em coisas que eu só percebo depois, e são elas que me valem por surpresas nunca ganhadas. Aquele canudinho alí, solto pelo chão, diz que já faz hora de você voltar dai, de longe. É um pedaço de você que ficou aqui. Chiclete, balas, brincos, o amor... tudo de você tem ficado em casa, e eu pensando se é que haveria coisas guardadas em você que estavam escondidas ainda. Nunca me ocorreu que sempre estiveram aqui, ali, em todo lugar. Acho que eu via, mas me tampava os olhos para não me esvaziar. E se tivesse percebido antes? Continuaria vendo minha retidão? Em todo caso, dou destinos praquilo que me faz lembrar você. Um deles, é embrulhar com papel fino lançando do laço para enforcar a fita amarela. Isso só acontece em meu coração: das guardanças em papel chique, todas estão perfumadas em um canto (daqueles cantos pricipais) do meu quarda-roupas imaginário. Apenas fica diferente porque tem um valor que só aumenta, mas nunca muda, só muda é o jeito que me faz lembrar de você.   

sábado, 3 de outubro de 2009

O SEU MUNDO TAMBÉM É MEU

Ahh... O seu mundo também é meu! Sabe aqueles dias que você fala, fala e eu quieto escuto, escuto, dizem ser isso "mal de mulher", que isso é ansiedade, emocional, que eu nem sequer estou de ouvido. Não que esteja eu longe, ou que sim, talvez sim, mas é porque sigo na imaginação, partilho de um mundo que não o meu e cujas aventuras são delirantes, apaixonantes; cujas preocupações de um gosto raro também meu coração engole. Então você mal respira, perde os pontos, as virgulas, os parágrafos - que eu não tento encontrar - para seguir com suas palavras num mundo que, naquele momento, também é meu.

E escuto (mesmo eu de ouvido longe...), percebo a narrativa que inveja a qualquer Saramago, maravilha, suas palavras condensam suas aventuras e ilusões e perspectivas da forma que eu jamais teria. E eu, por bem, não volto ao consciente, para que voltar, se tal aventura, naquele dia da semana que não nos vimos e guardamos nossas aventuras para compartilhar - e vivê-las juntos -, são ditas no próximo primeiro dia?

Aventuras, tropeços; engraçado, você nunca falou de saudade. Qual espaço tem no seu mundo para a saudade? É quando descubro que vivo um outro mundo pelas suas palavras, que tento nelas encontrar onde é guardado o carinho, o amor, o cochichar não dito. Mas tá escuro essa parte da sua luz, e eu, sem farol algum preso em suas palavras, me perco e me delicio por viver outra vida sem sair do seu lado.