Mostrando postagens com marcador Queria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Queria. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de março de 2018

Um universo dentro de mim, um vazio ao seu lado


"Não seria muito um universo se não fosse o lar das pessoas que você ama". A foto é do Moço Santiago, já a frase é atribuída a Stephen Hawking, que semana passada passou a ser mais uma estrelinha no céu. Ele brinca com a ironia de que o universo, apesar de incomensurável, não tem sentido sem as pessoas realmente importantes em nossas vidas. Acontece que, às vezes, sinto este universo tão pequeno e vazio (pois se faz agora mais uma vez). Vazio pq apesar de tantos esforços para dar significado parece não haver forças (que eu espero) para preenchê-lo com aquilo que Hawking chamou de amor. Algumas formas de amar trazem frio e dureza. O limite externo parece claro, enquanto o interno não. A água, necessária em nossas vidas, mata em contato com o corpo externo se demasiadamente fria. Qual o limite da tolerância? Quando é hora de ir embora (e como, astronauta?) deste universo que se faz vazio? Nesse universo dentro de mim, cada vez mais se revela um vazio ao seu lado. O mundo tem menos espaço sem você aqui, Stephen. 

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

UMA VELA PARA CLAREAR A IDEIA

Uma vela para clarear a ideia e uma pessoa para clareado pela vela faz falta em noites assim, dessas que quase não tem fim. Quase ao nosso lado refresca uma garrafa de vinho, aberta e já pela metade. As taças suadas. Mais um gole. Outro sorriso, um comentário baixinho, a voz sussura. Um toque. Suave. Os olhares brilham mais com a fraca chama; a vela faz sombras, sequer parece nossa, e percebemos face dissimulada nelas.

Lembranças. Elas aparecem. Situações dessas trazem lembranças. Todas. O silêncio lá fora também lembra. Hora esta de rever amigos distantes, saudades guardadas, mágoas escondidas embaixo do coração. E o canto em que me encosto encosta outro ombro tanto igual ao meu, que também lembra. Estes cantos guardam lembranças que o vinho molha.

Esvazio a taça, ainda suada. Olho a vela sem prestar atenção no que o outro me fala. Penso se a vela ilumina um pedaço da minha vida ou se minha vida espera que ela se apague o mais breve possível. Tem o que ser escondido, mas não são segredos não. Essa luz mostra o que todas as outras escondem. Mostra nosso cara mais limpa. Mostra uma alma tão suada quanto essas taças.