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segunda-feira, 20 de setembro de 2021
Alma passadeira
quinta-feira, 14 de março de 2019
Tudo ao mesmo tempo
Essa semana sentamos para conversar. Nós três, o Menino, o Moço e o Velho Santiago. O Menino chorava igual criança; o Moço resolvia seu cotidiano pelo celular que apresentou demasiada lentidão e o Velho ria dos outros dois primeiros. Há uma beleza no comportamento de cada um ao mesmo tempo em que havia desespero no coração dos três. E eles sabiam disso. Todo momento de transformação surge de uma reação. Esta, fica latente marinando sua explosão de tempero. Primeiro as belezas: o choro é o mais próximo que a alma encontra de sair do corpo, tomar um banho de chuva e voltar renovada. Mas nem sempre resolve alguma coisa. Então as crianças choram demasiadamente fácil uma vez que pouco resolvem, mas levam muito sua alminha para passear e cantar com suas músicas banhadas pela garoa. O cotidiano é o equilíbrio que toca a vida. O baile que segue. As revoluções ao entorno do Sol. São já naturais, mas não serão eternas, mesmo equilibrando essa dança toda, tão necessária para manter uma certa harmonia. Mas, na verdade, pouco mantém: é o processo, o caminho - estável - que conduz ao fim de tudo. Nosso fim é guiado pelo cotidiano. Nossa trajetória será estável até o final. Já o riso, ah, o riso! Quando é do menino, é a alma se enxugando dentro da gente. Quando moço, são os meandros do sim e do não, do certo e do errado. Quando é do velho, é como se fosse o tempo soprando seus segredos mais viscerais. Ter a idade em que mais anos se passaram do que há porvir traz uma tal serenidade: não é o grande final, mas é o fim dos ventos, o cessar das ondas, o eterno amanhecer aprisionado na pausa entre as estações. Em todos os casos é morrer de amor para tentar reviver.
sábado, 19 de maio de 2018
Espaços, paixão e transformações
Há alguns espaços não ditos. E são tantos e de tantos! O do Sol, sem a presença da Lua. O das demais estrelas, com aquele vazio presente entre tantas e tantas galáxias. Não é uma questão de estar próximo. Não é físico. Não é explicativo. Algumas transformações não podem ser imediatas: precisam de bilhões de anos. Transcendem, e acendem naquela poeira que vagava no espaço vazio uma luz que vai, em duas ou três gerações de sois, finalmente, fundir materiais mais pesados que a nossa mera vontade, materiais como a paixão e o amor. Nem toda luz que se forma produzirá paixão e amor. Ela não pode ser nem muito grande e nem muito pequena, tem que ter um tamanho exato. E essa é a ironia da harmonia de toda a natureza. Algumas pessoas possuem uma grandeza ou uma pequeneza tão extremas que jamais fundirão sua essência em sentimentos. Permanecerão astros chamativos, sem vida ao seu entorno. Que triste para estes. Na pressa do Moço Santiago eu percebia apenas que a paixão marcava a pele. Nas tristezas deste Velho, finalmente percebo que tais marcas é que forjam o amor.
terça-feira, 16 de maio de 2017
Te pegarei no colo
A Lua é minha bolinha de gude. Também é minha bola de capotão, minha bexiga voadora amarrada num graveto. De todas as brincadeiras ela é a mais gostosa: acaba só quando começa o dia. Criança ao contrário que sempre fui, me despeço do sono para ficar ali, olhando para ela. Já o Sol ilumina tudo, mas é tanto brilho que não se pode olhar em seus olhos ou brincar escondido no seu barulho diurno. Já a Lua revela baixinho todos os seus segredos e nos faz construir os nossos próprios para guardar em seu silêncio noturno. Enquanto ela é cúmplice, o Sol é dedo-duro, não deixa a gente esconder nossas brincadeiras por mera travessura. E ele brincará só por isso. Te pegarei no colo um dia, Lua linda.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
A palavramundo não se faz
Quando criança fiquei a olhar para os lados. Olhei para cima, para baixo e todas as diagonais elementares e cores corridas de um prisma. Olhei o mundo antes de olhar por uma janela que me mostrou o mundo. Hoje as janelas são menores e mais coloridas, nos encantam e nos levam para onde elas se abrem. O que percebo foi que minha janela, talvez porque simples, me ensinou que era mais vibrante olhar, antes, o mundo que se abria diante dos meus olhos. O tempo lento de descobrir a palavramundo curvou-se ao tempo eletrizante do liga e desliga das novas e superápidas janelas eletrônicas. Antes, acordava e ouvia o som por detrás da minha janela que, lentamente, rombia seu segredo com a chave correspondente. Se fosse hoje, meninosantiago já levantaria com o som na cabeça, assim como o moço o faz. E não gostamos disso. Mas entendemos o processo. E damos graças a Ele que somos do tempo lento da palavramundo. Pena sente o velho, que lamenta não poder ver essa geração inerte se desfazer na sua ilusão tecnológica.
Img do moçosantiago.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Coisas novas
É das coisas novas que precisamos, não é? Quero uma nova marca de capuccinno. Um novo e mais suave creme pra ter em cima. Quero um novo pão-de-queijo pra acompanhar. Uma nova companhia como a de vocês, meus velhos e velhas amigos, mas sem essa cara lavada de que nada mudou. Uma nova uva pra dela ter um novo vinho. Quero a docura de um beijo novo. O sabor de um novo amor. A esperança de uma nova vida in-tei-ri-nha pela frente. Quero a lua nova, o sol novo da manhã. um sorriso novo, que eu não conheça: quero pra decifrar. Aquele olhar ainda não me olhado. O pão estranho que desconheço o sabor. Quero a roupa nova. De novo, quero tudo agora. O que mais sinto falta não é da novidade, é da falta do que saber ser o novo. Todo dia algo novo acontece. Me faça um favor? Pois me conte, quem por aqui visitar, o que de novo lhe aconteceu. Então tragaremos.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Minha Gitã

Você ainda não me pergunta porque sou tão calado. E não entenderia se eu dissesse, mesmo porque não sei dizer isso que se sente. É dificil, quase não tem significados pra se expressar. Sentimento assim só dá pra sentir. Não consigo falar de amor, não consigo sorrir, só dá pra olhar e perceber que tudo o resto toca a alma, nada mais. Por enquanto, você me tem todo dia, toda hora e não entende. E mesmo que EU pergunte, nada vai lhe mostrar essas razões que passam por mim no momento. Será preciso passar pelo fogo, pela terra, pelo ar e pela água pra que você entenda: mas isso está tão longe ainda pra você! Tenha calma, logo saberá se é bom ou ruim, se vale o sacrifício, se é bom ou ruim. Dê tempo, e saberás que do sonho brota este amor.
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