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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Auto retrato




Se auto retrato, não saberia definir o velho, nem o menino, nem o moço. Não saberia como falar sobre eles. E se o faço, é com bastante timidez. Fato é que este post é para me conhecerem um pouco. O Velhosantiago é este ai, do daguerreótipo acima. Sim, não é uma fotografia, é um daguerreótipo. Não é uma foto antiga, pelo contrário, é novíssima, feita em julho de 2011 por uma técnica de 1837. Raridade, não? Bem, desde pequeno durmo tarde. Mãe que tenho bem que tentou que tomasse jeito esse moleque - "fecha os olhos que o sono vem". Mas... fecho os olhos e pipocam sonhos realizados, vontades deixadas pra depois, realizações que me alegram, minha camiseta nova que quero usar amanhã. Sou do impossível ao absurdamente simples. Da leitura fácil à incompreensível (que abandono quase de imediato), dos filmes em fullhd ao nosso querido Corinthiano, o Mazzaropi. Sou da água ao vinho, seco, do café - este sempre quente, claro - ao pão com manteiga que gosto muito. Escrever não é um dom, nem exercício, como pensei que seria ao criar este blog. Tornou-se fuga (sim, Pipa, desta vez fuga). Do quê? Deixo assim, subentendido. Por isso deixo a porta sempre aberta. Por que não tem hora pra ser Velhosantiago.

Ps: notaram a chícara de café que seguro na imagem acima? Detalhes... e hábitos que vocês conhecem mais do que ninguém.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Sobre a convivência consigo mesmo


E porque a gente é assim que a gente não leva de outro jeito. É obvio, é certo. Mas, no entanto, isso às vezes coalha meu café (vai leite nele).  De certo lá nos fios as andorinhas não se atrapalham com o calçado. Perceba que muito menos se misturam. A foto é minha, eu que fiz. Achei estranho e pensei sobre convivência mútua, no caso, do homem com si mesmo, como dois seres distintos: um quer estar junto ao seu íntimo, aos seus sentimentos naturais, àquilo que, de certa foma, se assemelha a ele mesmo; já o outro, este só lhe pendura os calçados nos fios. É natural que estejamos tão fora e dentro consigo mesmo? Penso nas implicações: euforia pela esquerda, alegria, partilha; solidão pela direita, reflexão, percepção de tempo alterado. Quando fico muito assim, pensativo, fazendo associações inimagináveis é que páro, olho no espelho e percebo o menino sorrindo, como se tudo isso fosse uma brincadeira dele (e o velho aprova)...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Arte dos meninos

O menino fez arte e ficou pelo canto calado catando conversa de outros que, por ali, jogavam fora. Se tava chorando foi detalhe porque a memória logo se esquece. Este é um dos coloridos estado de graça natural dos pequenos, afinal, são capazes de tudo, dizem o que não se encontra, pintam com todo tipo de coisas reais e imaginárias e tem tantas cores que nem enxergo agora depois de crescido. É um estado de Arte por embelezamento divino e cândido. Todos temos nossos lápis de luz, somos ou fomos assim; eu, veja só, nunca mais vi meu vermelho depois daqueles anos. 

Isso não é necessáriamente ruim, porque agora vejo tons que não compreendia antes; agora têm mais intensidade, e esquentam que é uma beleza quando faz frio lá fora. As cores, as palavras, meu canto ali, encostado por tantas vezes, mudam e permanecem em lugares comigo que às vezes se apagam. Mas que graça é ter olhos de borracha, capazes de sumirem  com os riscos sobre as lembranças esquecidas e trazê-las como se fosse eu mesmo, ali, no canto que eu também tive em algum outro lugar.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

ME DÊ, ME DÊ

Me dê, me dê - pedi um pincel quando ontem. Não deram, mas o pai tinha uma Trip 35mm. Até deram, mas eu me borrava todo. Ai devem ter cortado. Ai eu nunca pintei mais. Mas da 35mm veio outra, maior, mais grande, mais potente, mas logo já foi-se também, e voltei pra outra menor, mas mais potente ainda. E com ela às vezes eu pinto. Muito às vezes.
Fiz minha foto, mas já nem era isso. Também não é pintura, mesmo se parecer (se não daí, de longe: afaste-se, por favor, do monitor e reolhe), saiba que não é. Tenha certeza disso. É só mais um dia de trabalho. E ali, franzido, sou eu.