terça-feira, 4 de setembro de 2012

Um nó. No peito


O que aconteceu foi assim: vi um papel se transformar em um nó. No peito. Desse que deixa de ser uma lembrança doce e contida na garganta pra se transformam num papel amassado e delicadamente posto de lado. Não se apaga da memória os momentos em que, ao desembrulhar aquele sentimento, o barulho rompia com o silêncio e com os olhares nele navegando saborosamente. Foi quando o leve toque protegido entre esses dois pelo algodão frustrava qualquer desejo antecipado, e suas vontades confusas e contidas deixavam a simples promessa de sabor mais adocicada ainda. Nesse movimento tais vontades revelaram-se, numa das pontas desse papel, contraditórias e, na outra ponta, confusas. Tantas foram as palavras colocadas tão naturalmente, tão docemente que fundiram-se sem o sabor desses dois. E o desejo ali se dissipou... primeiro em uma das pontas... até levar também o da outra. Presenciei, ainda, boas explicações que envolviam destinos, fases positivas da vida, situações demasiadamente delicadas, complicadas... elas não me convenceram. Assim, no meio disso tudo, um nó. Testemunhei tantas tentativas de desfazê-lo! Estranho foi saber que todas essas tentativas foram sinceras e honestas, mas mesmo assim parecem não ter tido efeito algum. Mesmo com olás brancos engavetados. Creio que as tentativas tenham sido esgotadas quando encontrou-se aquele beijo no canto de uma foto quase perdida nas nuvens. E foi justamente quando apenas o nó criado pelas próprias pontas os separava. Fez-se, naquele momento, nó de chocolate branco.  

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Orbes Celestes fazem amor


Uma teoria que deveria ser conhecida é a do amor. Os fundamentos da minha teoria do amor estão certamente nos Orbes Celestes, que acredito fazerem amor todos os dias. Pra entendê-la, é preciso tomar lições. Primeira lição: a atração. Faz-se juras de amor e palavras tolas são ditas - por estes que lá, no incomensurável, amam - de que o espaço é curvo, e o tempo, uma convenção. Olhe para cima e, se tiver sorte, verá a lua amando nosso planetinha sempre que lhe convém, curvada nas vaidades de uma deusa azul. Ela foi atraída e hoje só faz amor. Segunda lição: amores machucam. Em escala menor, mesmo ela, feita de queijo, sofrera. Outros ali próximos chegaram e vieram sem desacelerar. Há amores pequenos, médios, grandes e incalculáveis. Há amores passageiros e duradouros de acordo com cada Orbes. Se imaginares um amor grande, outro além céu, o olharás com desdém, insignificância comedida.  Terceira: amores raspam. É quando um cometa cruza o céu, ilumina demasiadamente certo hemisfério em nosso prazer e depois se vai. Acontece que passam tão perto que deixam poeiras, rochas e imagens que, lamento, guardamos sem poder escolher que não. É um amor gostoso esse, mas talvez o mais sofrido. Embora haja troca de todas as lições, não costuma ser sincero, é fálico com sua ilusão e ego em se mostrar imensamente maior do que realmente é, e sempre ao custo de uma luz de outro amor. É praticamente um pavão, de carne macia e saborosa na boca e no sexo dos amantes. Quarta lição: efeito chiclete. Acontece quando, sem notarem, fazem amor e distanciam-se demasiadamente. Pelo pouco de amor experimentado, vem a falta, e então um dos dois exerce tamanha força que o outro, mesmo em novo caminho e nova rota, retorna sem poder escolher. E quando começa a voltar inicia o fim da história entre eles. Eles se encontram avisadamente, mas tão violentamente que tentam ser um. É posse. É domínio. E termina onde começou, alcançando novos Orbes a procura de acalanto e curvando-se para dentro do espaço outro que lhe domina. E é então novamente engolido. E isso se repete infinitamente desde sempre. Vivemos tão tão pouco que só somos capazes de ver - com olhos e espírito - quando uma rosa murcha e perde a cor. Talvez como o coração de tantos pierrôs que passam por essa estrada a procura de suas colombinas. 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Amor-de-tolo

Cada pedacinho de mim põe à luz a sua presença; tão forte é sua ausência. Cada lembrança é dura e doce; tão marcante passaram os dias. Pra cada ocasião, uma solidão; tão misterioso são meus sentimentos. E assim, pra cada ida e vinda do amor que me recordo, ainda sofro. Já moço, senti as dores do início ao fim de uma paixão adolescente. O amor que acreditei sentir, o desejo que sempre tive, a ideia de que resistiria à tudo e à todos e que seria para sempre: doeu perceber que não era bem assim. Perguntei-lhe se o sol ainda se levanta depois de um erro. E me disseres que sim. Jurei, e quis, tanto, que não. Mas o sol é óbvio demais. Pra mim, se fostes lua, eu não a quereria girando. Mesmo que fostes teu juramento. Das coisas do coração é que menos sabemos. Se sigo, não é sem opção. É por desejo que tudo se resolva. Acho que uma parte das pessoas passaram por isso. Algumas seguem adiante, se acostumam. Mas pra mim é tudo tão novo, apesar de se passar comigo velho. Acho que é assim: quando se aprende que cada palavrinha tola tem valor, o valor das coisas dobram. E quando nos achamos ricos desses valores imateriais, temos medo de abrir espaço pra outros metais sentimentais qualquer. Vai que é um desses amor-de-tolo. 

domingo, 24 de junho de 2012

Sobre os dias de tristeza

Esses dias tem se alastrado por semanas. Passam e voltam, numa dança elíptica ao entorno do seu próprio balançar. No centro, sentimentos que não consigo entregar um nome. E me pego encolhido, olhos mareados e sentindo frio. Há algo de errado nesse inverno, chegou escuro e chuvoso, trazendo sensações até então facilmente dissimuladas. Agora se tem uma cabeça vaga e os olhos constantemente não. Eu próprio procuro um sentido para esta estação. E só compreendo que não é apenas mais uma. As coisas têm mudado. Mais claro do que nunca, percebo que eu também tenho mudado. Ainda me pego redefinindo meus valores. Recriando alguns sabores e lançando um paladar adiante na esperança de um sabor de vida. Dissabores me trouxeram vários. Esses, que trazem aquilo que bem querem! Estou tentando evitar esses últimos. Novas orações sobre um velho tema. Novos papos com aquilo que acredito e tanto silêncio como resposta. A resposta é a vida. Mostra banal: aquelas tantas coisas que no cotidiano me lastimavam e tiravam a força perderam sua importância. Como foram pequenos tantos problemas! E não são demônios pessoais que atormentam esse moço não. São instantes que exigem decisões ponderadas. O carma não é viver sobre a pressão de ações que condenamos, mas viver sobre decisões que foram preciso tomar. Mais exatamente nas suas consequências. Tais decisões não baseiam-se no sim ou não, no certo ou errado. Mas na mudança pessoal. E eu nisso tudo? 

E o velho ri. Pois tal qual o tempo também sabe do desenrolar dessas besteiras. 

Em tempos assim que testamos nossos valores. Que colocamos a prova nossas crenças e que nos arrependemos por decisões, tomadas ou não, no passado. Sobre os dias de tristeza, tenho certeza, se fundamenta um futuro de alegria. É incerto no momento presente, mas me parece que deve ser assim. Em tempos assim telefonamos para alguns amigos e perguntamos sobre antigas memórias deles. Revivemos sentimentos nos outros, os forçamos a lembrar talvez daquilo que eles já se afastaram há tempos. Aproximamos pessoas queridas daqueles estados da alma deles que foram esquecidos. Ou que permanentemente foram e são colocados de lado. Não gosto. Mas preciso. Faria o mesmo por eles. Humildemente peço que entreguem suas consciências a um preço que beira o gratuito. Se não o for. Daquilo que lhes causava frio ao que me causa frio. Rememorar algumas lembranças faz bem entretanto. Nesse período ainda não tirei um nada de lição. A lição será a consequência desse período. Portanto, conversar com o velho pouco trará lições. O máximo que se pode fazer é passar aquele velho café, já não tão saboroso como antigamente. E mocar esses dias de tristeza. 

sábado, 23 de junho de 2012

Ao tempo sem pressa

Se tenho pressa, me pergunto. Tenho. Vejo a vida passar com olhos molhados. Que coisa bela, que espera. Que cenário pintado pelo acaso. E que caso tenho em vida, que em vida sofro tanto? Ao tempo sem pressa eu corro em dobro. Contra e a favor. Dos ventos, não da sorte. Ergo meus muros pra pulá-los depois, transpondo assim meus medos. E como me assustam. Me empurram adiante. Corro feito criança, mesmo velho. E moço ainda sofro, e moço ainda choro, e moço ainda tenho esperança. E moço me torno velho, errando feito criança que aprende as consequências nas suas formas lúdicas. E tento, a partir do meu todo, seguir de forma boa. Oro e peço em pensamento, baixinho assim pra dentro, que me traga seres e coisas iluminadas. E quando elas vem, me delicio. E quando são tomadas de mim, sofro novamente. Me questiono se eu próprio as afasto. E me respondo que eu próprio as aproximo. 

Se movo ambas oriento, seguir adiante é um contentamento. Mas paro em meio ao caminho torto que insisto em percorrer. Meus pés se cansam, e a alma lava por fora um corpo que sente tanto pranto. Ainda é pesado carregar tantos anos. Quando velho, chegada hora de desaprender. Assim espero. Se jovem dor assim entope o peito, depois precisa despejar em algum riacho. E que diabos é isso que se sente quando se leva alguém pra onde não se quer. O lugar mais distante é aqui dentro. A gente sente, mas está pra lá, fora em algum lugar. Mais perto também. Uma vez aqui, fica. Não dá mais pra tirar. Saudade a gente tem e sente só quando nos faz bem. Ser saudade é mais difícil. Precisa aquilo que Pequeno mostrou: cativar. Só se deixa cativar quando há espaço. Ou então se fecha, sem razão aparente, sem uma desculpa qualquer. Como se precisasse disso tudo. 

Entende com o tempo que passa sem pressa que nossa permanência é curta e breve. Mesmo ao meu tempo, infinito que hoje se apresenta. No apartamento vazio, na vida solitária que levo, mesmo com tantos aqui dentro do peito, viver cada dia é como percorrer uma eternidade. Desses, outros quero tirar. Mas poucos deles consigo. Ser sentimento é uma dádiva. Animal faz poemas com seus cantos, nós, de polegares opositores, com a realidade. E tal realidade é cansativa, mesmo se breve porém. Sinto aqueles que se vão tão próximos que esses me causam dor. E os que ficam e não estão, que seguem sua própria luz, me roubam tanto do pensamento! Me causa tormento essa vida que passa depressa. Ao tempo, seus encantos, mas que dor trazem pra dentro. Ter peito humano aberto e vivido é complicado.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Redenção



A benção é que é uma redenção. Mas dói. Tanto que me encolhi. Tanto que me perdi. Tanto que senti frio, soluçava e ria em espaços regulares. Tanto que lembrava de antigos conselhos de mãe. Tanto. E mais um pouco vertia em pranto. Sinto. Tantas coisas que buscava palavras pra manter a lucidez. Então novamente me encolhia. O choro, a vela, os pensamentos vagos, sem direção. Sentimentos. Quantos! Onde estão? Todos naquele momento ausentes. O coração doido sem doença alguma. A alma sendo lavada, e na boca aquele gosto salgado. A pele gelada. A razão me dava um pouco de consolo. E novamente ela se ia. E, então, desespero ali no chão da sala. Ainda subitamente me pego em controle. E espero desesperadamente a noite chegar. O tempo não passa. Já passou tanto tempo. No carro (dia-a-dia continua) nova vontade. Paro. Tiro óculos escuros. E mais um pouco me lavo. Procuro minha casa, tão distante. Quero solidão. Há sentimentos sujos, escondidos. E preciso lavá-los, caçá-los. Entendê-los. Mas é que é preciso. A opção é não desistir. 

São coisas que precisam ser resolvidas. Indiferentemente de tantas outras questões. Por mim. Senti algo como vergonha. Senti profundo espaço incompleto. Sozinho ali. A criança tomou a frente e sentou, velho e moço, a olharem-na. E então passou a soluçar tudo aquilo. Desesperou-os. Criança que somos, todos soluçávamos. Mas sem abraços. Então percebi que todos os três se foram. Deixaram meu infinito um espaço em expansão. Suportei, entretanto. Mas a que custas? Antes era preciso entender o vazio. Agora, as cicatrizes. E verto novamente em pranto. E me encolho no chão frio pro colchão não suavizar. Dor necessária. Dor que vai de dentro pra fora. Não quero prendê-la. Quero chorá-la. Trai-me a memória. Ela falha. Não elucida. Confunde. E penso coisas pra garantir um futuro, pra iludir uma alma que pede por qualquer consolo. 

Pedi pra que ficasse pra amanhã a conversa. E ficou, não sem grande falatório. Não havia dimensão pra coisa. Parecia exigir um vazio de um copo pra encher minha caixa de sentimentos. Me fiz forte pra uma expectativa, que em último tempo se dissipou. Mais rapidamente do que chegou. E não entendo dessas coisas de tempo. Mas devo ter errado em algum ponto. Enfim. Na hora, então, mostrei meu peito. E agora tenho algo como vergonha. Tal dor era tanta. Impossível não ser infeccioso. Mas se queria ver, viu. Como o menino, moço e velho, se desesperou. Tanto ali me lavei que criava mais sujeira. Quanto ainda demora pra limpar? Sei que ainda me encolho nas noites. E ainda dói tanto. E ainda discutem o tamanho do universo. É pouco. Já fui ao seu fim e voltei várias vezes essas semanas. O espaço é pequeno pra essa dor. Não sei como entender isso tudo. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Conversa de um moço



Sei que fui insistente de mais. E sei que fui pouco insistente outras vezes. Sei que não pesei adequadamente cada uma dessas vezes. Sei que fui ausente de mais. Percebo que outras vezes fui presente demais. Lembrando desde nossos primeiros anos, percebo o quanto eu errei com você. E percebo também o quando eu errei comigo. Tenho pensado, relembrado, revividos diversos momentos. Me remoído. Alguns fatos praticamente esquecidos. Sei que presenteei demais. E tenho convicção de que hoje eu presenteio de menos. Sinto que exigi de mais. E percebo que talvez tenha exigido pouco ainda. Me impus excessivamente antes. E não me impus adequadamente quando deveria. Nem mesmo hoje. Sei que chorei. Muito. Em cada uma dessas vezes.

Convivi demais com você todos esses anos. Fui ausente em cada um desses anos. Te liguei diversas vezes. Por diversas vezes passei tempos procurando um orelhão. Era madrugada. E tantas outras deixei de te ligar da sala de casa. Tantas vezes não disse que amava, me calei. Mas tantas outras demonstrei! Vivi momentos intensos. Também a monotonia. Respirei ares carregados. E me senti flutuando alguns tempos. Estava leve. Fui pesado demais e me arrependo disso. Mas não esqueci de ser delicado também. Fui sincero. Falei demais. Era preciso calar. E ainda assim me calei. Escutei mais que o suficiente. Mas não escutei o necessário. Olhei fundo nos seus olhos. Quis ver sua essência. Mostrei a minha. Escondi a minha. Andei pouco com você. Andei mais sozinho. Porém não fui errante. Olhei, entretanto, pro mesmo horizonte. Acelerei meu passo. Fui na frente. Olhei pra trás. Voltei.

Toquei pouco seu cabelo. Segurei sua mão com ternura. Respirei o seu ar. Não respondi com candura. Fui sarcástico. Fui honesto. Pedi arrego. Perdi esperança. Tive sonhos. Estabeleci metas, protelei tantas vezes! Fiz planos. Desfiz diversas vezes esses planos. Os refiz. Tivemos tantos momentos. E passaram esses momentos. Fui inconstante, inseguro e imaturo. Errei muito e me dói tanto. Acertei tão pouco em meu julgamento. Orei. Chorei mais. Nunca o tempo parou pra eu me refazer. E refiz meu sentimento diversas vezes. Me refiz enquanto pessoa. O tempo foi passando. Me fiz enquanto adulto. E, adulto, quero fazer um juramento de felicidade. Sinto que fiz tanto. E vejo que deixei tanto ainda por fazer. Precisamos ser felizes. Quero que você seja feliz.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Meu caminho de Santiago


No caminho - hoje invisível -
de Santiago há espaço para a fé?
Se houver,
ore por mim.
Ore.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Depois daquela conversa


Acordei entristecido alguns dias dessa semana. O lençol desarrumado, o travesseiro desconfortável, a cama grande sem carinho, a friagem batendo lá fora. Acho que depois daquela conversa tive uma pista dos planos que realmente precisam ser feitos. E fiquei assustado. A culpa desse meu susto não é sua. Na verdade o que veio de você pode ter sido uma benção. Talvez você tenha sido a benção e suas palavras apenas os indícios de uma nova cama grande pra arrumar. Acordei destemperado hoje. O tempo nebuloso e frio me mantiveram deitado, pensativo. Não pude concluir nada. Não sabia sequer como pensar. Das coisas que quero uma delas é a felicidade na maioria dos meus momentos. Os momentos tristes já o são por si só, daí a necessidade em fazer de todos os outros boas recordações. Mesmo aquilo que por natureza é uma boa sensação - por diversas vezes - se tornou um ato desesperançoso. As últimas palavras, telefonemas, escolhas, tem tido um peso quase insuportável. A vontade de chorar não ajuda. O próprio choro não ajuda. As lembranças boas são sublimadas. Os tempos bons vividos eu os troco pela esperança de outros bons tempos a serem vividos. Tenho lutado pra que permaneça a minha vontade de ficar. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

C...ontradição


Eis que me deparei com uma possível contradição: disseram que meu pó de café não serve. Logo o meu, que é tão gostosinho quando passado? Há um desacordo nisso. Em resposta eu disse que sequer fora provado para ser aprovado ou recusado. Precisamos, portanto, fazer um acordo breve: que se analise todos os demais cafés, sejam de altitudes, de coloração fraca ou mais escura. E apenas por último o meu, para efeito de comparação. Confesso que é sim uma estratégia. Ao provar dos demais, que suje sua língua com as marcas daqueles grãos que são colhidos e oferecidos indistintamente. Carregue seu olfato com aquelas lembranças e guarde bem o retrogosto na sua memória. Depois, mas somente depois, venha ter com o Velho esse gosto prazeroso. Certamente ele não se importará de ser o último nesse roteiro. Mas venha seguro de si, reto com seus sentimentos e com boa autoestima. Haverá queda de sua firmeza quando perceber todo o tempo perdido antes desse último café. E, então, não tirará essa última xícara da boca. 

domingo, 27 de maio de 2012

Amanheceres de minha vida


Amo amanheceres. De primaveras, verões, outonos... demorará ainda até o inverno chegar, mas talvez os amarei também. O bom desses amanheceres é poder sair de casa, rapidamente, e por ao menos os pés pra tomar daquele sol novo, fresco, em tenra idade. Os sóis da manhã me deixam feliz. Eles me fazem duas vezes bem: me mostram sempre um novo amanhecer e aquecem aquela minha velha casa e suas marcas. Queriria poder retribuir aos amanheceres tudo aquilo que eles me trazem. Mas sou tão pequeno que, sinceramente, meu aparecimento sequer deve significar alguma coisa na vida desses sóis. Também não tenho tal intensão... Meus pés ou mãos, que exponho muitas vezes desprotegidas aos seus raios, sentem um leve tocar. E ficam marcados, assim como minha alma ainda com cara de sono. Os sóis dos amanheceres devem vir mansamente. Espero isso deles. E devem passar. Como em todas as manhãs que viverei. 

sábado, 19 de maio de 2012

Chuva pra minha fertilidade

*Pra Pipa, a moça menina que voltará a acreditar em príncipes

Aqueles velhos dias de chuva voltaram. Uma vez por ano eles voltam. A cada ano, em sua devida estação, tenho plantado sementes bem específicas, cuja própria terra me ensinou a semeá-las adequadamente. Se fora da estação, com ou sem chuva, elas não rompem a terra novamente virgem, muito menos germinam. Assim como a devida chuva, uma vez por ano volto a rememorar minhas saudades. Diferentemente de Gaia, por vezes gero em meu seio colocações inadequadas: chove quando minhas sementes precisam de sol, e há uma estiagem quando nada de água cai. Percebi que meu ano pouco tem forma e sentido. Meu ano é finito, enquanto suportar abrir os olhos pela manhã. E nessa duração vou semeando, aguando e colhendo à mercê de fatores que - muitas vezes - de nada tenho a ver. É complicado quando chove de mais. Mas sei que sem essa chuva tanta secura de antes não teria como curar. Só assim pra deixar esse seio novamente fértil. 

A foto tb é do velho.