sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O OLHO DO VELHO

Eis que por ai os velhos olhos do velho observaram os olhos do velho Niemayer. Em Curitiba. Olhos fadigados, mas que brilham ao ver tais outros do por demais arquiteto brasileiro. Assim que outros olhos também olharam e quiseram ver, mas tal levantador de arte concreta não assim o fez: seu olho interiorizando a arte, um vão que de museu funciona, mas que de olho se nega a olhar. O olho de Curitiba é olho piscado que não se abre, ao menos naquele dia se manteve obrigando-nos a olhar apenas para dentro. Talvez cerrava breve choro baixinho.

Então meus velhos olhos se sentiram futurizados, como que mortos por natureza fechados, proibidos de perceber além aquilo. E Niemayer fez bem, fez assim mesmo, para que se olhe dentro e não fora. Mas olho se olha para fora, e os meus assim quiseram e frustrados se puseram, DE-SES-PE-RA-DA-MEN-TE, acreditem quando digo, a procurar o olhar pelo olho do outro velho construtor. E assim como que cansados, mas perspicazes e incapazes de aceitar o que o outro por demais velho mandava, meus olhos já esbranquiçados viu o que só se sente em despedidas.

A hora certa e decisiva havia chegado. E quando chega, depois que passa, mesmo sob chuva forte, ele o coração se enaltece, se enobrece e canta em gratidão contida, quase como que em lágrimas caiam do escuro céu já acinzentado. E então este velho que vos escreve primeiro viu pelo coração, emotivou sua razão e se lembrou dos olhos postiços que trazia a tira colo. Eis que por eles pôde ver para fora dos olhos; E-MO-CI-O-NA-DO, lançou mais outros olhos para fora do olho que não deixa olhar. E um novo e belo olhar foi feito para além da obra do grande Niemayer.

2 comentários:

Amanda disse...

o cara é realmente fantástico...
Quando eu crescer quero ser igual ele... hAUAhaUahu...

Ver@cidade disse...

Teus olhos te levaram a passear com o grande mestre das curvas e formas... que deleite! O olho do grande velho fez o nosso ficar cheio de beleza e assombro. Eu amei aquilo também.