sexta-feira, 20 de abril de 2012

A última e o primeiro

A última agonizava, chegava-se ao fim - chorava. O primeiro sorria de orelha a orelha, ainda que sem jeito - verdadeiro. Enquanto ela tentava em vão enganar seus relógios, ele sentava alegremente a voar pelo tempo. Inútil a última tentativa de dissipar, inútil pensar que haveria retorno, inútil sentir tanto aperto no coração. Tudo que se mostrava agonizar o fazia pelo bem até então vivido. O sentimento verdadeiro era o bom, tanto que falta já lhe fazia da existência que chegava ao fim. Pensamos - e queremos - que dessa passagem com aperto se lembre. Dores dessas sentem os que amam profundamente e são capazes de suportar, esses algozes! E tal início, ele, ainda jovem como criança, vem povoar o coração com um friuzinho na barriga que pensamos - e queremos - que dure tanto quando dure o sentimento daqueles que amam profundamente. Ela, a última vez que os veremos namorados, termina em breve. Ele, o primeiro dia que os veremos casados, começa em breve. Serei testemunha.

ao amigo Renato Menezes, que casará hoje, logo mais. 


ps: foto roubada do blog do companheiro Guto Sonemberg, do qual sou grande admirador

4 comentários:

Renato Menezes disse...

UAL Santi, muito obrigado, meu amigo.

Pipa. A Pipa dos Ventos. disse...

Velho,

Me empresta teu lenço. Desculpe. É que a Pipa sempre chora em casamentos.

Depois de passar os olhos por tuas linhas, a mulher que existe em mim suspirou decidida:

Um dia serei levada ao altar. Nem que seja como madrinha.

z i r i s disse...

Velho!


Que linda homen-agem! Emocionei daqui. Como minha queridíssima prima Pipa logo aqui mais perto, choro em casamentos...

Ah, e sim. Eu topo o desafio de palavrisar um registro-luz teu. Já me ponho curiosa pelo que meus olhos contarão aos meus dedos a respeito. Espero juntar as letrinhas bem direitinho, já que eu nesta vida vim para ama-dora dos retratos.


Um grande beijo ao já artista.

OutrosEncantos disse...

:)velhosantiago moço :)

também sou de prantos com as coisas felizes à minha volta.
já não são muitas as coisas felizes, à nossa volta, por isso, já e sempre me sinto feliz quando guerreamos para que as que valem realmente a pena [mesmo que pareçam pequeninas] sobrevivam :)
que sejam sempre felizes :)
e tu também, meu velho.

beijo :)

fiquei feliz de te ver por lá, mesmo em silêncio.