quinta-feira, 10 de junho de 2010

Arte dos meninos

O menino fez arte e ficou pelo canto calado catando conversa de outros que, por ali, jogavam fora. Se tava chorando foi detalhe porque a memória logo se esquece. Este é um dos coloridos estado de graça natural dos pequenos, afinal, são capazes de tudo, dizem o que não se encontra, pintam com todo tipo de coisas reais e imaginárias e tem tantas cores que nem enxergo agora depois de crescido. É um estado de Arte por embelezamento divino e cândido. Todos temos nossos lápis de luz, somos ou fomos assim; eu, veja só, nunca mais vi meu vermelho depois daqueles anos. 

Isso não é necessáriamente ruim, porque agora vejo tons que não compreendia antes; agora têm mais intensidade, e esquentam que é uma beleza quando faz frio lá fora. As cores, as palavras, meu canto ali, encostado por tantas vezes, mudam e permanecem em lugares comigo que às vezes se apagam. Mas que graça é ter olhos de borracha, capazes de sumirem  com os riscos sobre as lembranças esquecidas e trazê-las como se fosse eu mesmo, ali, no canto que eu também tive em algum outro lugar.

3 comentários:

Ziris disse...

Mas que graça é ter olhos de borracha...

Amei esse texto amigo Santiago. Amei.
E se esse vermelho aí, estiver num canto de lembrança que nunca se mexe, coberto por poeira de confetes?1

Há que se visitar quartos trancados dentro de nós, afinal são esses vermelhos, os nossos laranjas de hoje em dia...

Um abraço!

lucilene disse...

Santiago, adorei o seu texto , baseado na foto do menino....Todos Nós ja estivemos neste cantinho, nesta posição um dia.....isso me fez lebrar muito minha infancia...bjos Lucilene

« Katyuscia Carvalho » disse...

Levo também eu as mãos de menina aos olhos ora sérios, volto a "um tempo", e vejo melhor...

Que momento lindo foi este de quando segui pedrinhas até aqui.

Um abraço.
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Katyuscia