
Aquele lençol, exatamente como se deixa, assim que se acorda ele fica. É o meu, o reconheço, ele não se mexe. E, tal assim como fica, entristece assim que se volta. Ele ali me bate no rosto que companhia eu não tenho. Mas estamos tão acostumados... tanto ele quanto a mim, voltamos como saimos, a diferença é um banho, talvez. Pensamentos aprenderam, de mansinho, a contruir espaço, como pontes entre futuro e minha realidade. Como será quando tudo mudar?
Diz, por essa ponte, que Física preencherá espaços: ondas sonoras, luzes que formam em meus olhos turvos figuras reflexivas de carinho também, talvez. Por quanto tempo se mantém carinho como o meu pelo lençol ali, que deixo assim que se acorda ele fica? Haverá companhia, mas, meu deus, que exista companheirismo! E se uma das partes acordar antes e não houver sono da segunda, qual deve preparar o café? Não o preto, não tomo. Haverá capuccinno para sempre?
E ele, não sendo mais meu, volto arrumado. Que triste para ele, amaciado por quem o não concebeu. Que triste para mim, amaciado por quem não foi concebido. Que triste para a outra parte, até então uma hipótese, uma epífase, uma qualquer. Mas uma que começa a modificar meu sentimento, antes mesmo de amassar primeiro o lençol ou de arrumá-lo para hora mais avançada.