sábado, 23 de abril de 2011

Pequeno tempo do coretinho



Foi em volta desse coretinho que corría enquanto segurava, com uma das mãos, um cordão amarrado a uma bexiga flutuante; com a outra, agarrava um saquinho de pipoca doce, toda colorida. Coretinho pequeno, talvez pequeno também o mundo. Tantas pessoas são recebidas por essa cidadezinhas nos tempos de férias, e nestas ilhas de distância nunca fiz uma saudade doída. Sinto-me triste por isso. Sinto como que se passou e só. Faltam marcas como daquele amigo a quem esperar, aquela menininha a quem ver passar, falta um pedacinho do viver que gastei, fora do ambiente familiar, apenas nesse coretinho. Pois sabe que outro dia uma rapaz me Facebookeou: "Por certo você não se recorde de mim (...) Eu jamais iria reconhecê-lo se não visse uma mensagem de sua prima pra você". Ele, amigo também de minha tia, se lembrou do meu eu menino, "catatau", como chamou, na casa da minha avó, cidade deste coretinho. Tivemos tempos diferentes. Ah, peço que se alguém aqui passar férias, que corra comigo em torno desse coretinho. Eu estou sempre por ali, carregando a bexiga flutuante e a pipoca colorida.

2 comentários:

Nathy. disse...

Gostei, Santiago!!! Achei a ideia do blog muito bacana, algo para posterioridade.

Fernão Gomes disse...

Olá, irmão distante. Também tenho dessas projeções. E, quando acontece, a sensação é que tudo se esvai, lentamente, como areia que se perde por entre os dedos. Texto lindo! Abraços.

Fernão Gomes