quarta-feira, 2 de março de 2011

Meu pequeno Gene Kelly



E são em dias assim, escuros, que noto certo brilho em suas brincadeiras. Elas soam como advertências quando fora de contexto mas penso que porque ainda me limito em saber. Como é limitado meu conhecimento, como pequena é minha mente. Vejo que meu pequeno Kelly já cantava na chuva em dias de sol, bem à frente da minha maturida sã que, ao menor sinal de chuva, se perde, calada num canto desses de quinas, e fica ali preguiçosa. Não me preparei pra sobreviver com aquilo que pra você era pra brincadeira. E depois que minha fase de brincar terminou, esqueci como se faz isso. Por isso hoje tenho certas dificuldades, medos. Quisera eu ter uma casa na árvore, hoje saberia morar em qualquer tronco. Quisera ter um carrinho de rolemã sem uma das rodas, andaria com qualquer carro. Quisera ter vivido sem videogame, me contentaria com qualquer tipo de brincadeira. Quisera ter amado mais, sofreria muito menos por amor.  

6 comentários:

Analu Cestito disse...

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Denise disse...

Quisera......ora Deus quisera!

Luzia Medeiros disse...

O mais simples é o que nos faz feliz, de verdade, e tudo que guarda em si a capacidade de fazer brotar sorriso em nossos lábios, tem de igual forma a capacidade de nos fazer chorar. O Amor (com o A maiusculo) é o bem mais valioso, de tua humilde lista de insatisfações, ele é o que dá sentindo a todo resto.
Abçs no seu pequeno e em ti!

Mariana Lopes disse...

Ai, e eu que pensava que tava tudo certo em se deixar embolorar em casa nesses dias de chuva. Engano meu, porque existe muito mais que isso. Ninguém é feito de açúcar, não entendo porque tanto medo da chuva. Ê, quem dera pudéssemos nos adaptar a qualquer situação, quem dera ter feito coisas simples antes, para hoje ficar tudo certo; mas sabe que ainda há tempo! Pensei agora em colocar alguma coisa em prática.
Abraço.

Roberta Mendes disse...

Deliciosamente plurívoca a construção "mas ainda me limito em saber"... Limitar-se a saber, sem molhar os pés descalços nas poças da experiência. Limitar-se em saber é jamais tirar os sapatos.

Shuzy disse...

Sintomas de nostalgia... Aqui e aí...