terça-feira, 4 de maio de 2010

Pra ti, meu pequeno Santiago - Carta 1

Escrevo como se esta carta realmente lhe fosse chegar às mãos, meu pequeno Santiago. Entrecortadas por um gole de café, vou escrevendo minhas palavras com um aperto no coração. Acontece que não quero lhe revelar o que de bom você ainda viverá, mas tampouco me dou licença de prepará-lo para o que terá de enfrentar, mesmo com forças que terá que buscar fora de ti. Sei que vai compreender meus medos, afinal, alguns deles advém de você ai embaixo, ainda criança, moleque de pé descalço e tudo mais. Tenho pra dizer que aqui, de cima dos meus 40 anos já vividos, muita coisa não saiu como você ai, lá pelos nossos 10 ou 20, imaginou que seria. Sorte essa foi a nossa! Não teria tido graça viver o que já tinhamos vivido em pensamento. E graças a isso garanto que é um caminho de alegrias, de contruções, de experiências que você não faz ideia, meu pequeno. Alegre-se hoje, como se tu recebestes notícias minhas daqui. E viva, tire o chinelo e pise no asfalto quente, tire a camiseta e molhe-se na chuva. Aproveite a noite e durma cedo. Por que pra frente, meu querido, a gente perde um pouquinho da coragem de criança, e o café esfria mais rápido do que temos tempo para tomá-lo... 

Um comentário:

Pipa. A que ama. disse...

Essa parte:

"Alegre-se hoje, como se tu recebestes notícias minhas daqui. E viva, tire o chinelo e pise no asfalto quente, tire a camiseta e molhe-se na chuva."


Nossa Santiago. Que forte. Lembro de mim vendo vc dizer assim. Estou tentando me reconciliar com a Pipa, mas ela só me dá trabalho.

Vou fazer o mesmo que você.

Um beijo