quinta-feira, 18 de março de 2010

Por onde andei enquanto você me procurava

Daquela estrada toda tortinha não se via a ponta do fim, e caminhava, assim, sem mesmo saber o que tinha do lado de lá. Caminhava porque a gente é caminheiro, e todos, mais ou outros menos, andam assim por estradas tão, mais ou nem tanto, tortinhas como a minha. Mas a minha tem severas curvas que não são fatais. Conto que, certa vez, peguei carona noutra que era quase reta como pau de pipa, mas fatal. E fatalizou-se ali um coração que era lindo e que eu amava tanto. Desde então ando feito folha que cai da árvore. Dou curvas, giro sobre mim mesmo e não me importo nada se precisar voltar. É que não se volta nunca, a gente sempre se vai, percebe? Igual as estradinhas, conheço várias, mas cada uma delas fica tão diferente quando eu passo pra ir ou pra voltar que nem te conto, precisava monstrar. Eu te levo para onde for, mas não vamos veloz. E tem sacolejos, mas tudo dá certo porque eu sei onde vou sacolejar. E até gosto depois que passa o balanço, imagina! Ele é um índice de que estaremos em movimento. Não se se move se não se balançar.

Um comentário:

Carolina Bataier disse...

tão, mas tão lindo. :)