sexta-feira, 15 de outubro de 2010

É você, sim, essa gente



[penso]. Velho que sou, não sei como lhe dizer, caro amigo. Talvez, se ao menos soubesse o que dizer, seria mais fácil. Talvez. Fato é que me levanto todo dia e saio com o dedo em riste: "é você, sim, essa gente", e me coloco, assim, na minha própria condição humana [creio semelhante a sua]. Meus olhos sequer abrem-se e já penso algo como "de novo, preciso ir pra lá". E todos os dias têm sido assim. A angústia, se é que é isso, que deita-se toda noite comigo, existe pelas possibilidades não realizadas. E se não tivesse que ir pra lá? Ou, principalmente, se não tivesse tal consciência sobre essas coisas todas - ainda mais presente - que me confrontam em cada ladrinho 5x5cm que ponho os sapatos, sempre com cadarços bem apertados? Já pensei o que seria melhor, se saber da realidade ou sequer ter como separá-la do meu cotidiano, me deixando assim alguém incapaz de pensar sobre mim mesmo. Acho que o caminho de nossa juventude não se limita em nada, nem em ninguém. Mas é preciso ater-se no que não é palpável e isso implica abdicar de certas coisas que nos confortam. Tal consicência e lucidez não contentam-se com a faca e o queijo na mão. O que elas precisam é da vontade de comer. 

5 comentários:

Renato Menezes disse...

Ninguém melhor que você para dizer sobre essa sensação. E sobre essa linha gentil que nos une. Obrigado, meu amigo.

H. Machado disse...

Cuide dele, querido Santiago. Nosso Velho.

Anônimo disse...

http://robspictures.com/blog/

Roberta Mendes disse...

Sala de espelhos em que nos reconhecemos, sem saber onde o reflexo, onde a barba em que afundar os dedos nessa coisa chamada realidade.

Gostei muito do seu texto. Partiu-se em mil dentro de mim. Texto bom é o que lança pólen sobre outros pensamentos.

Amanda Anastacyellis disse...

eu gostei muito (: